http-equiv='refresh'/> ESPÍRITA NUNCA MAIS

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

COMO CRISTO ME SALVOU


MISERÁVEL PECADORA, ESPÍRITA: Valdenira

Cara amigo (a):

 Fui criada numa família espírita e, com toda a sinceridade que uma criança pode ter, eu cria que estava seguindo a “religião certa”, pois minha avó, que era uma pessoa muito boa e era uma médium de renome, “não podia mentir”. Eu, minha mãe e meus seis irmãos íamos às sessões espíritas onde minha avó recebia espíritos de parentes e amigos que já haviam falecido. Todos tinham a oportunidade de conversar com seus “guias”, menos eu. Eu ficava triste, pensando que Deus não gostava de mim. Procurava, então, fazer boas obras. Muitas vezes, saía pelas ruas com uma sacola pedindo auxílio para as velhinhas do Centro Espírita da minha cidade, mas... nada!!! Meu guia nunca vinha! (Hoje, sei que Deus estava me guardando e dou graças a Ele! Sei também que minha avó não estava mentindo quando recebia espíritos, porém eles não eram de familiares mas sim de demônios).

 Apesar de eu ser espírita, estudei alguns anos em um colégio de freiras e assim absorvi o catecismo católico, aumentando a minha cegueira com uma salada de mais erros e vãs tradições contrárias à Bíblia. (Hoje, vejo que o inimigo de nossas almas usou aquele lugar para tentar me fazer ignorar a verdadeira Palavra de Deus que é a única que nos mostra o verdadeiro caminho da salvação e nos livra do fogo eterno do inferno.) Mas, eu ainda era espírita!

 Eu sempre procurava fugir quando o Espírito de Deus procurava me alcançar. Lembro-me de quando alguém (provavelmente alguma pessoa da minha família materna, totalmente composta de evangélicos, com exceção de minha avó, seus filhos e netos) me deu de presente um livro mostrando os erros do espiritismo. Na verdade, eu não o li pois temia que me fosse provado que o espiritismo não era a verdadeira religião e... eu não queria que isto acontecesse, pois minha avó “não podia mentir”! (Hoje, a única explicação que vejo para eu agir daquele modo – não lendo o livro, pois o normal é querermos descobrir a verdade – era a influência maligna que vivia ao meu redor.)

 Em 1965, casei-me, numa igreja católica, com um rapaz que estava terminando Engenharia Civil, muito inteligente, calmo, bom filho e além de tudo... bonito. Eu era espírita e ele um católico não praticante. Vivíamos amando as coisas do mundo, sem nem nos lembrarmos que Deus existia. Mas mesmo assim, sabemos hoje, Deus nos amava, apesar de sermos pecadores perdidos e amantes do mundo. O Espírito Santo procurava falar alto aos nossos corações mas nós procurávamos não ouvi-Lo. Sabemos que Deus nos falava com muito amor porque isto é próprio da Sua natureza. Mas, como eu era rebelde, procurava não ouvir o Seu chamado amoroso. (Hoje, sei que Deus nos chamou através da dor por causa da nossa desobediência e por muito nos amar.)

 Tínhamos 3 filhos quando eu, já com problemas de saúde, engravidei do meu 4o filho. Durante todos os 9 meses, sentia muitas dores pois estava com uma alta infecção renal e não podia tomar antibióticos para combatê-la, porque isto iria prejudicar o bebê. Havia mesmo risco de vida para mim e para a criança, mas Deus estava controlando tudo. Consegui chegar aos 9 meses e tive, num parto normal, meu filhinho que nasceu grande e pesando quase 5k! Era um bebê lindo. Mas, depois de 24 horas, Deus decidiu levá-lo para o céu, deixando-nos a chorar, pois já desde o ventre o amávamos. (Hoje, sei que foi a partir daí que Deus começou a trabalhar em meu coração de pedra.)

 Além deste fato que muito marcou as vidas minha e de meu esposo, muitos problemas que iam surgindo nos faziam lembrar mais de Deus. Finalmente, decidimos procurar uma religião para educar nossos filhos no caminho do Senhor. Mas qual religião? Eu torcia para que fosse a minha – Espiritismo. Mas Deus estava em controle de tudo e colocou no meu coração e no do meu esposo que deveríamos ficar naquela que estivesse mais de acordo com a Bíblia. Concordei, mas continuava torcendo pela minha! Começamos a nossa caminhada em busca da verdade. Primeiramente, fomos ao Centro Espírita do qual minha avó fazia parte. Deus já estava agindo em meu coração, pois saí de lá desiludida com as palavras do dirigente ao desprezar a Bíblia e achar que os “seus espíritos” eram mais importantes que Deus e Sua Palavra! Ele não soube justificar alguns versículos que meu esposo lhe mostrou, eles provavam quanto Deus condena extremamente a invocação de espíritos e todas as mais variadas formas de espiritismo. Para ser sincera, confesso que saí de lá não apenas desiludida mas “arrasada”. (Hoje, dou graças a Deus por aquele sofrimento que, comparado ao sofrimento eterno no inferno, não é nada.) Depois que Deus nos tirou a cegueira e fez cair a máscara desta 1a “religião”, fomos para a 2a, que vive sob as ordens papais – o catolicismo. Meu esposo e eu – ele principalmente – passamos a semana pesquisando versículos que nos deixavam perplexos, pois nos pareciam mostrar que a igreja católica também estava contra a Palavra de Deus – imagens de escultura, procissões, cultos a santos e à virgem Maria (“mãe de Deus”), e um sem número de tradições que não nos convenciam. O “padre”, assim como o chefe espírita, não nos deu respostas bíblicas, que eram as únicas que poderiam nos satisfazer. Mais uma “religião” desmascarada!

 Finalmente, Deus colocou no nosso caminho um casal crente (Charles e Elsie) que aceitou nos recebeu carinhosamente na casa deles, todos os sábados à tarde, por 6 meses, para tentarmos derrubar a eles ou à própria Bíblia. Mas, a tudo que perguntávamos, Charles respondia: “Por favor, leia aqui o que Deus diz, na Sua Palavra!” O Senhor nos venceu não pelo cansaço mas pela Sua Palavra que “é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Heb 4:12). E foi ali mesmo, em 20 de julho de 1974, na casa daquele casal que tanto aprendemos a amar, que Deus quebrou nosso coração de pedra e tocou no mais profundo de nossa alma, abrindo nossos olhos e nos mostrando que éramos pecadores miseráveis merecedores do castigo eterno no inferno, mas que Ele nos dar e asseguraria a vida eterna ao aceitarmos o sacrifício de Jesus na cruz, morrendo em nosso lugar. Foi então que entendemos o grande milagre do amor de Deus e aceitamos Jesus como nosso Senhor e Salvador. Hoje, agradeço a Deus pela nossa salvação e pela salvação de cada filho que Ele nos deu. Agradeço também a Jesus pelo Seu amor e pela certeza que temos de um dia encontrá-Lo na glória como também a nossos filhos Airton que foi primeiro para junto dEle ainda bebê, e Mauro, nosso filho amado que partiu há 3 anos e hoje está junto ao Senhor.

 Meu versículo preferido é Hebreus 9:27 “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,...”. Este foi o versículo que me afastou para sempre do espiritismo, pois me mostrou que não existe reencarnação.

 Bem, amigo, agradeço pela sua simpatia em ler a história do Deus maravilhoso salvando mais um pecador. Agora, faço-lhe uma pergunta: Você quer crer e receber Jesus como seu Salvador pessoal? Isso você pode fazer agora, aí onde você está e como está. Abra o seu coração para Jesus e deixe-O entrar. Ele morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos para lhe dar a salvação plena e eterna, e o perdão de todos os seus pecados. Não olhe para os seus pecados, nem para suas fraquezas. Creia somente em Jesus que é o único caminho para o céu. (“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” João 5:24).

 Se Deus usou este pequeno escrito e você recebeu o “pacote completo e definitivo” da salvação (arrependendo-se, crendo, confiando, aceitando, recebendo, dedicando a vida a Cristo, o Deus-Filho da Bíblia, como seu Salvador pessoal e seu Senhor), entre em contato comigo, para que eu regozije também e talvez possa lhe ajudar a tirar algumas dúvidas, etc.

Valdenira Nunes de Menezes Silva, 2000
Rua Buarque, 198, João Pessoa, PB, 58045-160. http://solascriptura-tt.org/
Meu email: valdenirans@yahoo.com.br

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O ESPIRITISMO E O SOFRIMENTO DE JESUS.


O Espiritismo ensina que a encarnação é necessária aos Espíritos como imposição de Deus “para fazê-los chegar à perfeição”. Mas, para isso, “devem eles passar por todas as vicissitudes da existência corpórea”. “Os sofrimentos da vida são, por vezes, conseqüência da imperfeição do Espírito: quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos”. (Questões 132 e 133 do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec).

   Esse caminhar por vidas corpóreas seria necessário porque “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem ciência. A cada um deu uma missão, com o fim de esclarecê-los e fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de si. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos passando por provas que Deus lhes impõe” (Livro dos Espíritos, questão 115). 

   Os Puros Espíritos fazem parte da classe mais elevada, da primeira classe, e atingiram essa posição porque “percorreram todos os degraus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria, e, tendo atingido a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, NÃO TÊM MAIS QUE PASSAR POR PROVAS OU EXPIAÇÕES. Não mais sujeitos a reencarnação em corpos perecíveis, vivem a vida eterna, que realizam no seio de Deus” (Livro dos Espíritos, questão 113 – o realce é meu).

   Kardec disse que a autoridade de Jesus originou-se da “natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina”, e que a “lei do Novo Testamento teve sua personificação em Cristo”, na qualidade de segunda revelação de Deus (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I-4,6).  Jesus “foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos... foi o iniciador “de uma perfeita moral” (Ibidem, cap. I-9).

   Conforme a visão kardecista de sofrimento e purificação, teria sido dura a caminhada de Jesus até chegar ao seu ponto máximo de perfeição. Até ser considerado um Espírito Puro, teria passado por inúmeras vidas corpóreas.  Foi, quem sabe, escravo de um senhor rude e cruel; trabalhador braçal na construção de castelos reais; uma mulher desamparada ou uma viúva pobre em algum lugar da África. Vencidas essas provas indispensáveis ao seu aperfeiçoamento – e já na condição de Espírito Puro - achou graça diante de Deus, que o escolheu para uma missão divina da mais elevada importância.  Então, Jesus não teria vindo para mais uma prova, eis que não havia nele imperfeições a serem removidas, como bem disseram os desencarnados: “A autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua MISSÃO DIVINA” (Ibidem, cap. I-4, Kardec, realce meu).  A pureza de Jesus seria de tal forma que Deus o escolhera dentre muitos outros Espíritos Puros, eis que estaria Ele no ponto mais elevado da hierarquia espiritual, tudo segundo a visão kardecista.

   Ora, depois de tanto sofrimento, ou melhor, depois de sofrer tantas encarnações para aperfeiçoar-se, nada mais justo da parte de Deus do que premiar esse Espírito, que em determinada etapa chamou-se Jesus, com a sublime missão de dar início à “mais pura e mais sublime moral, da moral evangélico-cristã” (Ibidem, cap. I-9).

Refutação

   Há alguns tropeços no percurso desse raciocínio. Primeiro tropeço é quanto à missão de Jesus, que não veio só para ensinar uma elevada moral.  Vejam o que Ele diz no começo do Seu ministério: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração; a pregar liberdade aos cativos; e restauração da vista aos cegos; pôr em liberdade os oprimidos; e anunciar o ano aceitável do Senhor... hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos” (Lucas 4.18,19, 21; Isaías 61.1).

   O segundo tropeço é que as Boas Novas trazidas pelo Senhor Jesus não se resumiram a questões de ordem moral, como foi soprado pelos desencarnados. O Senhor Jesus operou milagres sem conta; ressuscitou mortos, curou leprosos, cegos, surdos e paralíticos; perdoou pecados; expulsou demônios; acalmou tempestade; andou sobre o mar; multiplicou pães e peixes para alimentar milhares de pessoas. Nenhum desses milagres pôde ou pode ser explicado pela Ciência. “E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou em aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste, e todos os que lhe tocavam saravam” (Marcos 6.56). “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (João 21.25).

Os ensinos de Jesus

   Ao dizer “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida, e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6), o Senhor Jesus coloca por terra a intenção do Espiritismo de ser a “Terceira Revelação de Deus, não tendo a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu” (E.S.E. cap. I-6).  O Cristianismo rejeita os ensinos dos “Espíritos” e reconhece que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).
   Jesus ensinou que há dois tipos de homens: os salvos (Mateus 25.31-34) e os perdidos (Mateus 7.13-14; 25.46). Este ensino nocauteia a afirmação kardecista de que “todos os Espíritos tornar-se-ão perfeitos” (Quesito 116 do Livro dos Espíritos). 

   Jesus ensinou que o perdão de Deus é necessário à salvação do homem (Mateus 6.12; Lucas 23.34). Os “mensageiros do Céu”, todavia, ensinam que basta ao Espírito aceitar as provas de múltiplas encarnações, porque somente “submetendo-se à prova de uma nova existência” a alma pode depurar-se (Livro dos Espíritos, questão 166). E as vozes do além arrematam: “Em cada nova existência o Espírito dá um passo na via do progresso. E quando se houver despojado de todas as impurezas, não mais necessitará das provas da vida corpórea” (L.E. questão 168). E dizem ainda que somente depois da última encarnação o Espírito se torna feliz e puro (L.E. questão 170). Com essas afirmações, Kardec anulou a natureza do perdão de Cristo, e desprezou, também, a eficácia do Seu sacrifício. Segundo esse raciocínio, o ladrão da cruz, perdoado por Jesus, teria ido para o paraíso levando impureza e infelicidade (Lucas 23.43). 

   Jesus ensinou que retornará não mais para trazer Boas Novas, mas para JULGAR. Como resultado desse julgamento muitos irão para o “fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25.31,32, 41,46). Estas declarações são um xeque-mate em algumas teses kardecistas. Ele afirma que voltará. O que virá aqui fazer a “Segunda Revelação” já devidamente substituída pela “Terceira”?  Jesus diz que virá para julgar, e que esse julgamento dar-se-á em determinado momento, esclarecendo que haverá um Juízo Final.  Ora, tal ensino não faz parte da literatura kardecista, onde se lê que “todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes fornece os meios pelas provas da vida corpórea, mas na sua justiça reserva-lhes, em novas existências, a tarefa de realizar aquilo que não puderam fazer ou acabar numa primeira prova” (L.E., quesito 171). Se admitida a tese defendida pelos “espíritos”, o Senhor Jesus adiaria o Juízo para uma data indefinida, e ficaria aguardando o momento em que todos alcançassem a perfeição – o que os espíritas chamam de “uma nova chance”.  Se fosse assim, não haveria necessidade de Juízo Final, porque com Jesus ou sem Jesus todos caminhariam para um mundo ditoso. 


O Senhor Jesus também falou em “fogo eterno”, ou seja, em castigo eterno num lugar previamente preparado. Ora, o kardecismo, como se sabe, não admite a existência de castigos eternos, pois a justiça da reencarnação estaria no fato de que todos terão oportunidades iguais de limpar suas imperfeições. Seguindo o raciocínio kardecista, quando o Senhor Jesus retornar para julgamento muitos espíritos estarão no meio do caminho rumo à perfeição, fazendo parte da classe dos “levianos”, “perturbadores” e “impuros” (L.E. quesitos 102-106). Como ficarão estes?  Seriam salvos assim mesmo?  Não mais precisariam reencarnar para serem puros?  Seria uma exceção à regra da reencarnação? Ou admitem que o Senhor Jesus mentiu ao dizer que retornaria (João 14.3)? Pode mentir Aquele que veio “ensinar aos homens uma elevada moral”, como afirmou Kardec?   Além do mais o Senhor Jesus falou que o “fogo eterno está preparado para o diabo e seus anjos”. Seriam estes os Espíritos imperfeitos, impuros e levianos que ainda não se aperfeiçoaram, conforme declarou Kardec? O Senhor Jesus arremata: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no unigênito Filho de Deus” (João 3.18). Disse mais: “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno” (Mateus 23.33). Como se vê, a Palavra fala em CONDENAÇÃO, sinônimo de castigo eterno, inferno e Juízo Final.  Vejam o que diz o Espiritismo: “Os Espíritos não ficam perpetuamente nas camadas inferiores; todos eles tornar-se-ão perfeitos. Mudam de classe embora devagar” (L.E., questão 116). Pelo visto o Senhor Jesus, quando vier, vai ter que ficar esperando muito tempo.  Quem está mentindo: Jesus ou os “desencarnados”?
 
O Perdão dos Pecados

   O Senhor Jesus declarou que tem poder sobre o pecado. “Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados”. E pensaram os escribas: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” Então disse Jesus: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados [disse ao paralítico]: A ti te digo, levanta-te toma o teu leito, e vai para tua casa” (Marcos 2.5-12). Ficou claro que o Senhor Jesus pode perdoar e, desculpem-me pelo óbvio, quem recebe o Seu perdão fica realmente perdoado.  Mas em qual etapa da tese reencarnacionista entraria a necessidade de perdão?  Para que serviria o perdão se a perfeição será alcançada de qualquer modo via novas encarnações, mediante as provas de novas vidas aqui na terra?  Com seus pecados perdoados ou não aquele paralítico não iria ser aperfeiçoado?  A expressão “Espiritismo Cristão” não estaria, portanto, mal colocada?

O Sofrimento de Jesus

   Outra dificuldade de conciliar Cristianismo e Espiritismo diz respeito ao sofrimento de Jesus. Como vimos, a “natureza excepcional do seu Espírito” e a sua divina missão de ensinar uma elevada moral à humanidade, como definiu Kardec, garantir-lhe-iam, pelo menos, uma vida terrena livre de qualquer sofrimento.  Não foi o que aconteceu.    Ainda criança, Herodes tentou matá-lo (Mateus 2.13); viveu uma vida sem descanso e sem bens materiais (Mateus 8.20); seus irmãos não criam nEle (João 7.5); foi duramente criticado e perseguido pelos fariseus, que desejavam tirar Sua vida (João 11.53); foi traído por um de seus apóstolos (Mateus 26.16); angustiou-se no Getsêmani, “e o seu suor tornou-se grandes gotas de sangue que corriam até ao chão” (Lucas 22.44); sem justa causa, foi preso e condenado à morte (Lucas 22.54; 23.25); não recebeu o apoio de seus discípulos quando foi preso (Mateus 26.56, 70, 72, 74); foi escarnecido, humilhado, açoitado, cuspido, e recebeu na cabeça uma coroa de espinhos (Mateus 27.26-30); finalmente, foi crucificado. Seu sofrimento na cruz é indescritível (Mateus 27.32-56).

   Ora, levando em conta a crença espírita, Jesus teria passado por todos os estágios da escala espiritual até chegar à plena perfeição. Inicialmente “alma simples e sem ciência”, Ele teria experimentado muitas lutas e vicissitudes em muitas vidas corpóreas, havendo subido de degrau em degrau na hierarquia espiritual. Já no topo da escada, recebe não mais uma prova, mas uma MISSÃO.  Tal dissertação da vida espiritual de Jesus está acorde com a afirmação de um espírita cristão. Quando lhe perguntei se, no entender do kardecismo, Jesus teria sido um homem como outro qualquer, que mediante muitas vidas corpóreas atingiu o mais alto grau de perfeição, ele me respondeu afirmativamente.

   Os “espíritos” disseram a Kardec que “para chegar a essa perfeição devem eles passar por todas as vicissitudes da existência corpórea”; que “todos são criados simples e ignorantes...”; que “os sofrimentos da vida são, por vezes, conseqüência da imperfeição do Espírito” porque “QUANTO MENOS IMPERFEIÇÕES, TANTO MENOS TORMENTOS” (realce meu – L.E. quesitos 132 e 133).  Disseram também que os Espíritos Puros, da primeira classe, já “percorreram todos os degraus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo atingido a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, NÃO TÊM MAIS QUE PASSAR POR PROVAS OU EXPIAÇÕES” (realce é meu – L.E., quesito 113). 

   Se correta essa tese, Jesus não mais precisaria passar por provas. Aliás, certo “Espírito”, a quem Jesus chamou de Satanás, tentou interromper Seus sofrimentos e até ofereceu-Lhe riquezas (Mateus 4.8-11).

   Algumas indagações são necessárias: (a) O carma de Jesus não estaria completamente limpo, o que exigiu mais sofrimento?  Tal hipótese não se harmoniza com a “natureza excepcional de seu Espírito”, nem com a missão divina a Ele confiada (E.S.E., cap. I-4). (b) Jesus era realmente um “Espírito Puro”, mas por sua livre vontade aceitou e buscou o sofrimento para purificar-se mais ainda? Tal hipótese colide com a declaração kardecista de que os puros estão no último degrau da escala e não mais necessitam de provas. 

A Verdade

   A verdade é que Jesus não sofreu e não morreu crucificado para “expungir” suas próprias imperfeições.  Perfeito como era, não precisou de sacrifícios para limpar Seu carma ou para elevar-se na escala espiritual. “Verdadeiramente, Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades” (Isaías 53.4-5). Ele veio para “salvar o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1.21). Ele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29), “para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Ele “morreu por nossos pecados”; não morreu na cruz para seu próprio progresso (1 Coríntios 15.3). Ele “se deu a si mesmo por nossos pecados...” (Gálatas 1.4). “Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós... o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano... levando ele mesmo seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro...” (1 Pedro 2.21-24).

   A encarnação do Verbo, seu sofrimento e morte, fizeram parte do plano divino para a salvação dos homens. Esse plano começou a ser revelado a partir da queda de Adão, conforme predito em Gênesis 3.15, onde a “semente da mulher” ferirá a cabeça da serpente. Na revelação progressiva, o Messias se apresenta como homem de dores, servo sofredor, traspassado por nossas transgressões, até chegar à Pessoa de Jesus, o Filho, que se entregou à morte expiatória da cruz, “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Jesus não precisava, nem precisa, de infindas reencarnações para atingir plena perfeição, visto que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus, e se fez carne, e habitou entre nós” (João 1.1,14). Quanto à glorificação de Cristo, escreveu o apóstolo Paulo em sua carta aos Filipenses:
   “... pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Pelo que Deus também o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.6-11).

   Estabelecido está mais um conflito entre o Cristianismo e o Espiritismo. E não citei a ressurreição corporal do Senhor Jesus, cujo corpo físico, se encontrado, seria um troféu nas mãos dos incrédulos que negam a Sua divindade. São dificuldades que colocaram em seu caminho ao tentar estabelecer uma estreita vinculação entre cristãos e espíritas.

Autor: Pr. Airton Evangelista da Costa
www.palavradaverdade.com

O Espiritismo e a "Reencarnação" de Elias.


O Espiritismo tem usado alguns textos bíblicos sobre João Batista e Elias, para justificar a tese da reencarnação. Vejam o que diz:

“Se o princípio da reencarnação, conforme se acha expresso em S. João, podia, a rigor, ser interpretado em sentido puramente místico, o mesmo já não acontece com esta passagem de S. Mateus, que não permite equívoco: ele mesmo é o Elias que há de vir. Não há aí figura, nem alegoria; é uma afirmação positiva” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, 90a edição, pg 91).

Os textos

“Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor” (Ml 4.5).

“E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que havia de vir” (Mt 11.14).

“Os discípulos O interrogavam: Por que dizem, pois, os escribas que é mister que Elias venha primeiro? Jesus lhe respondeu: Certamente Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim, farão eles também padecer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que lhes falara a respeito de João Batista”. (Mt 17.10-13).

“Pois [João Batista] será grande diante do Senhor...será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe; e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus. Irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos...” (Lc 1.15-17).

Exame

Primeiro - De maneira alguma se lê em Lucas 1.15-17 que João Batista seria uma reencarnação de Elias. Não se encontra nessa passagem qualquer respaldo à falsa tese reencarnacionista, que nunca pôde ser provada, exceto pelas falas dos próprios “espíritos”. Nem direta, nem indiretamente, o anjo Gabriel declara que Elias reencarnaria em João, mas que este teria virtudes idênticas às daquele: “No espírito e na virtude de Elias”; desenvolveria um ministério muito semelhante ao de Elias em termos de garra, ousadia, consagração, unção e sofrimento. Comparemos: semelhança no início de seus ministérios (1 Rs 17.1 – Mt 3.1); Elias repreendeu a Acabe (1 Rs 18.17-18); João, a Herodes (Mt 14.3-4); Elias foi perseguido por Jezabel (1 Rs 19.2-3); João Batista, por Herodias (Mt 14.6-8); os dois viviam de forma austera e discreta.

Segundo - Quando Jesus falou “Elias já veio” (Mt 17.12) e “ele é o Elias que havia de vir” (Mt 11.14), estava em suma dizendo que Elias não ressuscitara como todos esperavam, mas que João Batista desempenhara o papel de precursor do Messias com a mesma coragem, virtude e espírito de Elias. Com estas palavras, Jesus confirmava Lucas 1.17. Situação parecida vamos encontrar em 1 Reis 2.15: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu”. Esta declaração foi proferida pouco tempo depois de Elias ter sido arrebatado ao céu num redemoinho (v.11). Pode-se interpretar de forma literal essa passagem? Não. Não se tratava de reencarnação porque Eliseu já possuía o seu “desencarnado” nele encarnado, se fosse o caso. Os dois viveram numa mesma época. Um não podia ser encarnação do outro; não se trata de possessão mediúnica, ou seja, Eliseu não havia incorporado o espírito de Elias, por óbvias e irrefutáveis razões. É importante observar que os discípulos interpretaram muito bem as afirmações de Jesus, pois “entenderam que lhes falara a respeito de João Batista” (Mt 17.13). Ou seja: entenderam corretamente que Elias não veio; que quem estava ali não era Elias, mas o próprio João Batista.

Terceiro - Ainda em nossos dias usamos esse estilo de expressão: “Nunca mais surgirá um Rui Barbosa”. “O Ronaldinho é um verdadeiro Pelé”; “Quando surgirá um Mané Garrincha?”. São termos comparativos. [Se acreditais na vinda de um Elias], “e, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que havia de vir” (Mt 11.14). Por suas mensagens vibrantes e seu corajoso desempenho diante de situações difíceis, Elias tornou-se símbolo dos profetas. Moisés, por exemplo, era símbolo da Lei (Lc 16.31). As profecias sobre a vinda de Elias não se contradizem. Muito pelo contrário. Vejam: Malaquias 4.5: “Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterei o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição”. Lucas 1.15-17: “Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto”. João Batista seria semelhante em muitos aspectos ao destemido profeta Elias. Logo, as profecias da vinda de Elias se cumpriram em João Batista. Portanto, Elias veio representado, não encarnado, na pessoa de João, o Batista (Mt 11.14 e 17.10-13).

Quarto - O francês Hippolyte Leon Denizart Rivail soube ser ele a reencarnação dum poeta celta chamado Allan Kardec. Ora, se a crença da reencarnação fosse assim tão difundida e aceita; se Jesus fosse um médium; se vivessem os apóstolos nesse clima de experiências espirituais, João Batista, como aconteceu com Kardec, seria o primeiro a saber que ele não era ele mesmo. Mas vejam:

“Perguntaram-lhe [a João Batista]: Então quem és? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Não”. E como insistissem para saber quem ele era, respondeu com as palavras do profeta Isaías: “Eu sou a voz do que clama no deserto. Endireitai o caminho do Senhor. Perguntaram-lhe. Então por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu: Eu batizo com água, mas no meio de vós está alguém que não conheceis. Este é aquele que vem após mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias” (Jo 1.21-27).

João responde aos que procuram apoio bíblico para a tese da reencarnação: EU NÃO SOU ELIAS. João era bastante sincero e firme em suas declarações. Se ele realmente tivesse dúvidas ou não soubesse, certamente responderia: Eu não sei se sou Elias. Ora, um profeta que anuncia a vinda de um Salvador até então desconhecido (“alguém que não conheceis”); que teve a humildade de sair de cena no momento em que Jesus iniciou seu ministério (Jo 3.30); que conhecia a missão que lhe fora confiada, a de preparar os corações para receber as Boas Novas (Is 40.3); um profeta cheio do Espírito Santo (Lc 1.15); que recebeu público reconhecimento de Jesus (Mt 11.11), um profeta assim só poderia responder com absoluta convicção. Devemos crer nas suas palavras, ou seja, que ele não era nem nunca foi Elias.

Quinto – Por ocasião da transfiguração de Jesus, quando apareceram Moisés e Elias (Mt 17.3) João Batista já havia morrido, pois fora decapitado por ordem de Herodes (Mt 14.10). Ora, João era quem deveria aparecer ali, e não Elias, segundo a tese reencarnacionista. Na questão 150 do Livro dos Espíritos lê-se que a alma “tem um fluído que lhe é próprio, colhido na atmosfera de seu planeta, e que representa a aparência de sua última reencarnação”. Então, a última aparência daquela alma, que em determinado momento recebeu um corpo humano e se chamou Elias, seria a de João Batista. O que significa dizer que, sob o ponto de vista da própria teoria espírita, João Batista nunca foi Elias reencarnado.

Sexto - A teoria da reencarnação fundamenta-se no ciclo “morrer-renascer-morrer”, ou seja, sucessivas mortes e sucessivos renascimentos. No monumento sobre o túmulo de Allan Kardec, no cemitério de Pére Lachaise, em Paris, está escrito: “Nascer, morrer, renascer ainda é progredir sempre: esta é a lei”. Leia-se: “A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, 90a Edição, 1985, p.88). Para um espírito retornar à vida corpórea é preciso que tenha desencarnado, isto é, que o corpo haja descido ao pó, exceção somente admitida no caso da primeira encarnação, no estado em que a alma é “simples e ignorante”, tudo de acordo a teoria espírita. Como Elias não morreu, mas foi por inteiro trasladado ao céu (2 Rs 2.11), não há como imaginar que tenha reencarnado em João Batista. Seria uma tremenda incongruência.

Em Hebreus 9.27 está escrito “E, como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo...”. Quando a Bíblia fala em “homem” está se referindo à parte física, o corpo, mais a parte imaterial, o espírito. Na morte, o espírito separa-se do corpo e fica aguardando o julgamento divino. O profeta Elias não precisou passar pela morte. Foi direto para o céu.

Finalmente, entendo que Jesus deu a exata dimensão e interpretação da profecia de Malaquias 4.5. Confirmando a profecia do anjo – “[João Batista virá] no espírito e virtude de Elias” -, Jesus declarou que João Batista representava o Elias que haveria de vir: “É este o Elias que havia de vir” (Mt 11.14). Isto é, a profecia a respeito da vinda de Elias foi cumprida na pessoa de João Batista.

Autor: Pr. Airton Evangelista da Costa
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