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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

OCULTISMO


O Ocultismo traz consigo a influência das artes mágicas, das religiões de mistério, de muitos deuses e deusas que tanto têm contribuído para que pessoas permaneçam a vida longe do verdadeiro criador e partam desse mundo sem a salvação.

Sabemos que ao arrazoarmos sobre o tema “ocultismo” estaremos despertando a curiosidade de algumas pessoas para fatos e práticas que até então, provavelmente, ignoravam. Não temos como objetivo excitar a curiosidade de alguém na direção do ocultismo, mas alertarmos preventivamente sobre dardos sutis que podem ter atingido a mente de alguma pessoa. Devemos ter presente a admoestação de Paulo em Rm 16.19 – “… quero que sejais sábios para o bem e simples para o mal”. Podemos estar a par das atividades do diabo sem nos deixarmos envolver pela obsessão ou fascinação doentia.

Não temos como nos esquivarmos de que o sobrenatural é realidade. Apesar disso, devemos ser cuidadosos para não considerarmos todos os fenômenos inexplicáveis como sobrenaturais, pois a fraude sempre fez parte desse meio cheio de mistérios!

Podemos incorrer em dois extremismos quando estudamos sobre o Ocultismo; primeiro é não crer na influência diabólica das suas práticas e segundo é crer e desenvolver um interesse mórbido em relação ao Ocultismo.

É diante dessa conjuntura e de tantas conjecturas, que o ocultismo tem ganhando espaços e adeptos, por isso, a importância dessa singela abordagem.

Terminologia


O vocábulo ‘oculto’ deriva-se da palavra latina ‘occultus’ e significa escondido, secreto, obscuro, aquilo que é de falso fundamento, misterioso. São fenômenos que parecem escapar ou escapam ao domínio dos sentidos. A palavra sinônima de oculto é esotérico e está relacionada com a doutrina que se oculta das pessoas em geral e se revela apenas aos iniciados.

O Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo relata: “Ocultismo é o que está além da esfera do conhecimento empírico; o sobrenatural; o que é secreto ou escondido”. (2)

O termo ocultismo, criado no século XIX pelo francês Eliphas Lévi (Alphonse Louis Constant), designa a série de teorias, práticas e rituais que têm por base conhecimentos secretos e a possibilidade de invocar forças desconhecidas, sejam da mente ou da natureza. A alquimia, a astrologia, a cabala e a bruxaria estão entre as mais antigas formas de ocultismo. O aparecimento de doutrinas ocultas ou esotéricas, que permanecem restritas a um pequeno grupo de iniciados, é uma característica comum a todas as antigas culturas. Com métodos próprios destinados a curar enfermidades, obter determinados bens ou adivinhar o futuro, essas doutrinas pressupõem a existência de espíritos e de forças ocultas que governam o universo. Muitas das formas de ocultismo tiveram origem em religiões secretas, tais como a bruxaria, que reproduzia, na Idade Média, rituais de cultos pré-cristãos. Outras se baseavam em conhecimentos de caráter filosófico, como a astrologia e a alquimia, que se propunham uma síntese de todo o saber. (4)

Origem do Ocultismo


Babilônia, foi o berço do ocultismo, notadamente da adivinhação e dali as práticas se espalharam por toda a terra com a povoação que se espalhava (Gn 11.8,9). Deus frustrou as previsões ocultistas nos dias de Moisés e Arão, quando realizaram sinais diante de Faraó, ao transformar varas em serpentes. A serpente de Moisés engoliu as serpentes dos praticantes de ciências ocultas de Faraó e depois em repetir as pragas sobre o Egito (Ex 7.8-12, 19-22; 8.5-11,16-19; 9.11). Os reis antigos usavam com excesso as práticas ocultistas. Nabucodonozor tomou a decisão de atacar Jerusalém depois de recorrer ao ocultismo (Ez 21.21,22). A prática adotada por Nabucodonozor é conhecida como hepatoscopia (adivinhar pelo fígado do animal). Amã, inimigo dos judeus, pretendeu matar Mardoqueu empregando métodos ocultistas ao levantar uma forca valendo-se de adivinhação ( Et 3.7-9; 9.24,25; Nm 23.23). (3)


Uma abordagem sobre o ocultismo no Egito e na Babilônia

Egito

No Egito o zoormorfismo (deuses em formas de animais) e o antropomorfismo (deuses em forma humana) faziam parte da religião. O Faraó era considerado uma teofania, uma encarnação do deus principal dos egípcios. Desse modo, cria-se que a natureza era regulada pela intercessão faraônica. Na qualidade de deus cabia ao faraó o papel de mediador dos homens perante as divindades, devendo para isso construir templo, residir cultos, organizar ritos funerários, norteado sempre pelos ensinamentos dos deuses.

Em busca da vida eterna, tumbas especiais e pirâmides eram erigidas a cada dia. Ritos, os mais diversos e até macabros, eram praticados para garantir a vida pós-morte. De maneira geral os egípcios eram completamente supersticiosos e todas as sua atitudes giravam em tordo dos auspícios do dia-a-dia. O culto dos mortos era uma prática egípcia das mais importantes, dentre os ritos mágicos. A grande pirâmide de Quéops mostra o quanto os egípcios eram fiéis as suas convicções religiosas.

Entre os egípcios, era comum também a crença de que os astros tinham influência sobre as diferentes partes do corpo. Assim, por exemplo, a cabeça pertencia ao deus Ra; os dentes, à deusa Selk; os joelhos, à deusa Neit; os pés, a Ftá; esses deuses se relacionavam com os astros. Quando alguém ficava doente, invocava-se o deus relacionado com ela. Magia e religião estavam intimamente ligadas no Egito.

Os símbolos ocultistas utilizados na magia eram: a serpente, o escaravelho e a chama. Também a numerologia tinha sua influência na vida, segundo as crenças egípcias.

As estátuas falantes era outra crença egípcia. Acreditava-se que a alma do morto podia ser consultada através de uma estátua. Os deuses por sua vez, também se incorporavam nas estátuas e podiam, assim, ser consultadas. A mais famosa estátua falante foi a de Amom, consultada pelos faraós antes de qualquer decisão a ser tomada. (6)

Babilônia

Os princípios que regeram a formação religiosa do antigo Egito são os mesmos aplicados à explicação religiosa da Mesopotâmia, com exceção de que o rei na Mesopotâmia era apenas um escolhido dos deuses enquanto que no Egito esse rei ou faraó era a própria encarnação do deus principal. A ideologia religiosa desse povo envolvia um panteão numeroso de personalidades divinas, governado por deuses arbitrários, bons e ruins. Nesse contexto sociológico erguia-se um complexo sistema de relações, no qual incluía o culto, o exorcismo e a magia. Segundo relação encontrada na biblioteca de Assurbanipal (668-626), em Nínive, mais de 2.500 entidades eram divinizadas pelos mesopotâmicas. Marduk, deus da Babilônia, é elevado a deus principal pelo código de Hamurabi (XX a.C.). A religião de Marduk converteu-se na última das grandes sínteses das correntes espirituais mesopotâmicas. Nesse sentido o sincretismo ganhou importância. A figura de Marduk (Baal ou Bel) tinha dois rostos, correspondendo à sua dupla personalidade, como filho do sol e deus da magia, filho das águas profundas.

Para eles à hora da morte era uma decisão dos deuses. O mundo dos mortos consistia num universo de sombras e trevas que se esvaíam, como uma prisão sem saída.A primeira forma do culto consistia na oração e na liturgia de atendimento aos deuses. Estes como os mortais, deviam comer e beber, dormir e amar. Oferendas diárias deveriam ser oferecidas aos deuses, suas imagens expostas como forma de proteção, seus símbolos usados como sinal de bom agouro.

As rezas e preces, por vezes cantada em coro, expressava a admiração dos celebrantes, exaltava o poder da divindade e suplicava por sua intervenção.

A prática da consulta aos horóscopos é de origem caldaica (6), mas se tornou popular em toda a Mesopotâmia. O horóscopo, sistema que relaciona datas e lugares geográficos à posição dos astros, passou a ser usado para previsões do futuro.

Os babilônicos acreditavam que todo o mal, físico ou psíquico, ligava-se ao pecado ou ocorria por ação de demônios, instigados por feiticeiros.

A prática de exorcismo era uma atividade mágica na religião mesopotâmica. Rezas, penitências, ritos especiais e outras práticas orientadas por sacerdotes eram feitas com o intuito de afastar as forças maléficas e abolir as causas do mal. (5 – adaptado).

Fenômenos e práticas do ocultismo nos dias de hoje


Existem dezenas de práticas e fenômenos ocultistas em nossos dias. Espiritismo, (mediunidade, clarividência, clariaudiência, operações psíquicas), satanismo (magia branca e magia negra, pactos satânicos), adivinhação (do latim ‘divus’, pertencente a deus, significando que a informação recebida provém de deuses e as práticas como cartomancia, quiromancia, pêndulos, mandala, hidroscopia, búzios, tarô, runas, numerologia, bolas de cristal são algumas dessas práticas); Poderes Extra-Sensoriais como: premonição, psicometria, telepatia, levitação; muitos casos de medicina holística (casos de terapia com Florais, aromaterapia, cromoterapia, Reiki, Controle mental, fitoterapia, ioga, cristalterapia, meditação transcendental), talismãs (magia que encanta), amuletos (anéis, figas, patuás, trevo de quatro folhas), ufologia, gnomos, duendes, xamanismo, anjos cabalísticos, fantasmas, benzimentos etc.


Seitas ocultistas


Ao nos referirmos ao ocultismo não estamos tratando de um sistema religioso ou uma organização homogênea. Determinado grupo ou seita pode conter dentro do seu escopo doutrinário ou regras de fé práticas e ensinos extraídos do ocultismo. Existem vários grupos que praticam, explicitamente ou implicitamente, o ocultismo.

Podemos também afirmar que o movimento Nova Era é a veia por onde corre e se desenvolve todo tipo de Ocultismo, um sistema estriba-se no outro e através desse sistema se interligam várias seitas. Indicamos algumas: Ordem Rosa Cruz, Maçonaria, Ciência Cristã, Igreja Universal e Triunfante (de Elizabeth Clare Prphet), Mormonismo (com o Anjo Moroni), Igreja da Unificação (rev. Moon), Igreja Seicho-No-Ie, Igreja Messiânica Mundial, Teosofia, Antroposofia, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, seitas afro-brasileiras (Umbanda, Quimbanda, Candomblé, Vodu), seitas espíritas (Kardecismo, LBV, Racionalismo Cristão, Cultura Racional).

Praticantes do ocultismo


Os que se envolvem em tais práticas são adjetivados como: sensitivos, videntes, parapsicólogos, gurus, mestres, babalorixás, ialorixás, benzedeiras, satanistas, médiuns, canalizadores, bruxas. Dentro do ocultismo a pessoa se sente poderosa, dominadora. Ultimamente se tem destacado muito a figura das bruxas. O perfil da bruxa moderna é bastante diferente da imagem que as pessoas costumam ver em histórias de quadrinho com nariz curvo, rosto enrugado, roupa preta e chapéu preto, montada numa vassoura. Hoje elas são elegantes, belas, bem vestidas, atendem em seus apartamentos, cercadas de toda a tecnologia, como computador e telefone celular etc. Fazem cursos que demoram até sete anos. Aconselham geralmente acerca da vida sentimental, profissional e financeira das pessoas que as procuram. (3)

Ao contrário do que muitos intelectuais esperavam, a superstição não findou com o avanço da tecnologia nem com o avanço das ciências físicas. Muitos achavam que o homem moderno não mais difundiria estórias como as da cegonha, fadas etc; que aposentaria suas patas de coelho, figas, fitas vermelhas, ferraduras, arrudas ou as imagens de Buda; que o mês de agosto deixaria de ser azarado; criam que até o temido “mau-olhado” ficaria cego. Contudo, para a decepção geral desses otimistas tem ocorrido o inverso. Milhares de pessoas “intelectualizadas” se envolvem com alguma forma de superstição.

O que diz a teologia cristã sobre o ocultismo

Na Bíblia encontramos cinco categorias de ocultismo, como seja: 1) – Astrologia, o qual afirma que o movimento dos astros determina os acontecimentos bem como o caráter dos homens; 2) – A Magia, a qual confere poder a algum objeto ou pessoa, quer para o bem, quer para o mal; 3) – A Feitiçaria, referindo-se a certas pessoas com poderes não explicáveis pelos sentidos; 4) – A Mediunidade ou Necromancia, que seria a prática da comunicação com os mortos. 5) – A Reencarnação ou à volta a vida em outro corpo. (6)

Refutando esses pontos:

1) – Guarda-te de levantares os olhos para os céus e, vendo o sol, a lua e as estrelas, a saber, todo o exército do céu, não sejas seduzidos a inclinar-te perante eles, e dês culto àquelas coisas que o Senhor teu Deus reartiu a todos os povos debaixo de todos os céus. (Dt. 4:19).

A consulta aos astros é uma pratica ocultista pagã e idolatra. Quando um indivíduo abre um jornal ou revista e procurar se instruir através do horóscopo, essa pessoa está desobedecendo a Deus e praticando o Ocultismo.

2) – “Quando, pois, vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos?” (Is. 8:19).

Há várias maneiras pelas quais o ocultismo pratica a adivinhação. Podemos citar o pêndulo, telepatia (comunicação através do pensamento), bola de cristal, tarô… e outras, como formas de instrumentos de adivinhação.

3) – “Entre ti não se achará… nem feiticeiro” (Dt. 18:10).

Tanto o Velho como no Novo Testamento fazem repetidas referências à prática de feitiçaria e da magia, e sempre que são mencionadas são condenadas por Deus. Cf. Ex. 22:18, Lv. 19:26, Dt. 12:31, I Sm. 15:23, Is. 19:3, Jr. 27:9,10, At. 13:6-10, Ap. 21:8.

4) – “Não se achará no meio de ti quem […] consulte os mortos; pois todo aquele que faz estas coisas é abominável ao Senhor, e é por causa destas abominações que o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti” (Dt. 18:10-12).

A primeira incidência bíblica do ocultismo mediúnico foi registrada em Gênesis três. Lá no jardim do Éden, o diabo usou a serpente como um ‘canal’ para enganar Eva (Gn. 3:1-15; 2 Cor. 11:3; Ap. 12:9). Através da mediunidade, o diabo levou e tem levado o homem a duvidar de Deus, com graves consequências espirituais! Significativamente, há razões para crê que a realidade básica da mediunidade sugerida aqui não mudou no que se refere: à origem (o poder maligno); ao seu resultado (ilusão espiritual que destrói a confiança em Deus); e as suas consequências (juízo divino, Dt. 18:9-13). (7) “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” (I Tm. 4:1). Deve ser por isso que em todas as formas de ocultismo encontramos a figura do médium, avatar ou líder iluminado tendo revelações surpreendentes e com novos ensinamentos transmitidos pelos supostos espíritos de luz.

5 – “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo” (Hb. 9:27).

Praticamente, todas as religiões que derivam do ocultismo ensinam alguma forma de reencarnação, ou seja, que a alma, depois da morte do corpo físico, não entra num estado final, mas volta ao ciclo dos renascimentos.

Conclusão


O Ocultismo, por estar muito divulgado no mundo hoje, mostrando que já não é tão oculto assim, atinge todas as camadas da sociedade e afronta até mesmo o cristianismo. Muitos pensam que muitas das práticas ocultistas citadas nesse estudo não são tão maléficas e podem ser encaradas como algo secular em nosso dia-a-dia, se der certo bem, se não, que mal há? É verdade que na bíblia encontramos alguns sinais miraculosos que foram dados aos servos de Deus, como, por exemplo: a sarça ardente, a coluna de nuvem e a de fogo, Josué e o sol, os magos e as estrelas… Mas é bom notar que todos esses sinais foram dados da parte e da vontade de Deus e não buscados através da especulação dos homens.Quem confia em Deus não precisa de artes mágicas, agouros, comunicação com os mortos, feitiços… pois sabe que a vitória que vence o mundo é a fé em Jesus Cristo e nada mais (I Jo. 5:4).

Quando Deus declara que abomina as práticas ocultistas (Dt 18.12), muitas pessoas tendem a não levar a sério esse alerta bíblico. As consequências do envolvimento com o ocultismo podem ser: intranquilidade, angústias, melancolia, inclinação para o suicídio, sexualidade exagerada com inclinações para práticas de sexo pervertido, raiva incontida, avareza, pavorosas tensões íntimas, pesadelos, depressões, pensamentos terríveis, blasfêmias, aversão à Palavra de Deus, alucinações visuais e auditivas, psicose mística.

Por isso, liberte-se de tudo aquilo que é oculto a Palavra de Deus e saiba que o amor de Deus lhe guardará protegido de todo o mal – “Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:38, 39).


Bibliografia

1 – Mcdowell & Stewart; “Entendendo o Oculto”; Editora Candeia; São Paulo; 1996.

2 – Mather & Nichols; “Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo”; Editora Vida, São Paulo, 2000.

3 – Revista Defesa da Fé, Matéria do Pastor Natanael Rinaldi;

4 – Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

5 – J. Cabral; “Religiões, Seitas e Heresias”; Coleção Reino de Deus; 1986; Rio de Janeiro.

6 – T. G. Leite Filho; “Ciência, Magia ou Superstições”; Editora Vida, 1987, São Paulo.

7 – Ankerberg & Weldon; “Fatos Sobre Os Espíritos Guias”; Editora Chamada da Meia Noite; 1996; Porto Alegre – RS.

8 – G. Sautter; “New Age”; Editora Esperança; 1993, São Paulo.

Dicionário Aurélio Século XXI em CD Rom.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Bruxaria

A frequente presença do fenômeno milenar da bruxaria em culturas distantes de seu substrato atesta a perpetuação de certas modalidades de funcionamento do espírito humano. No entanto, inúmeros trabalhos etnológicos ou históricos não lograram ainda dirimir todos os problemas ligados a sua definição ou explicação.
Bruxaria consiste no exercício, com intenção maligna, de pretensos poderes sobrenaturais por meio de ritos mágicos e com o fim de causar malefício a certas pessoas ou a seus bens, assim como benefícios diretos ou indiretos a seus praticantes. O fenômeno existe desde os tempos pré-históricos e faz parte dos procedimentos de numerosas crenças animistas. Aparece já em Homero e na própria mitologia grega, em que a feiticeira Medéia ocupa lugar de destaque no ciclo dos argonautas. Na literatura latina, o tema despertou o interesse de vários autores, especialmente Apuleio, Petrônio e Horácio.
No universo judeu-cristão, a presença das bruxas verifica-se desde o Velho Testamento. Em um momento crucial de sua vida, Saul consultou a feiticeira de Endor, embora pela lei de Moisés a bruxaria fosse punida com a morte. No cristianismo primitivo, conhecia-se a prática de ritos mágicos, mas os apóstolos consideravam-na fruto de ardis do demônio, pois entendiam que somente Deus dispunha de poderes sobrenaturais.
História da Bruxaria
A bruxaria ressurgiu e intensificou-se na Europa do século X ao XII, quando as heresias dos cátaros trouxeram de volta a crença na influência do demônio, o que favoreceu a interpretação de que a bruxaria era produto do contato com suas forças. Realizaram-se nesse período vários processos contra bruxas, promovidos pelo poder civil. Entretanto, a questão só assumiu aspectos dramáticos a partir do século XIV, quando a igreja implantou os tribunais da Inquisição Católica para reprimir tanto a disseminação das seitas heréticas como a prática de magia e outros comportamentos considerados pecaminosos. Ao dar especial relevo ao problema, a perseguição contribuiu para que ele adquirisse ainda maiores proporções. Nessa época, o fenômeno frequentemente se caracterizou como manifestação coletiva, de grandes dimensões e profunda repercussão na vida religiosa, no direito penal, nas artes e na literatura.
Daí em diante, à medida que proliferaram os tribunais da Inquisição, os processos aumentaram rapidamente. A acusação sistemática só se verificou na época que é considerada a última fase da Idade Média, o fim do século XV, principalmente após a bula Summis desiderantes affectibus (1484), do papa Inocêncio VIII, e da obra Malleus maleficarum (1487; Martelo das feiticeiras), dos dominicanos Heinrich Kraemer e Johann Sprenger, em que se firmaram as normas do processo inquisitorial contra a feitiçaria.
A época da verdadeira epidemia de bruxas e teóricos do assunto é a dos séculos XVI e XVII, no contexto da Reforma e da Contra-Reforma. Ainda que, como nos outros casos, implicasse a prática da magia, incluía quase sempre a invocação do demônio e a mobilização de seus poderes, o que a associava à concepção do mal na teologia cristã e a tornava um desafio à moralidade religiosa. Apareceram então os grandes sistematizadores da demonologia — Jean Bodin, autor de De la démonomanie des sorciers (1580; Da demonomania dos feiticeiros), e o jesuíta Martinus Antonius Delrio, autor de Disquisitionum magicarum libri VI (1599; Seis livros de pesquisas sobre magia). Nessa fase, a bruxaria tornou-se tema freqüente na literatura e nas artes plásticas: sobressaíram, por exemplo, Macbeth, uma das mais célebres tragédias de Shakespeare, e as gravuras de Baldung Grien e Jacques Callot.
A perseguição às bruxas foi metódica e violenta no norte da França, no sul e oeste da Alemanha e muito especialmente na Inglaterra e na Escócia, onde houve o maior número de vítimas. Os colonizadores ingleses levaram esse procedimento para a América do Norte, onde, em 1692, ocorreu o famoso processo contra as bruxas de Salem, em Massachusetts.
Em geral, acusava-se de bruxaria mulheres velhas, mas com menor frequência também jovens e, excepcionalmente, homens. As acusações registradas contra essas pessoas referiam-se a toda espécie de malefícios contra a vida, a saúde e a propriedade: aborto das mulheres, impotência dos homens, doenças humanas ou do gado, catástrofes e temporais. As bruxas eram também denunciadas por pactos com o diabo. Montadas em vassouras, voariam pelos ares e se reuniriam em lugares ermos para celebrar o sabá e entregar-se a orgias. Como cultuariam Satanás, considerava-se que este lhes aparecia como monstro cornudo e sequioso de sacrifícios.
O racionalismo e o espírito científico, que caracterizaram o Iluminismo do fim do século XVII e do século XVIII, contribuíram para o fim desses processos e para que não mais se admitisse perseguição judiciária em casos de superstições populares. O último processo na Inglaterra ocorreu em 1712, e a última fogueira de bruxas na Europa foi acesa em 1782, no cantão suíço de Glarus.
Teorias antropológicas.
O fenômeno histórico da bruxaria suscitou numerosos estudos antropológicos, para os quais a intolerância das autoridades eclesiásticas, tanto católicas como protestantes, não seria razão suficiente para explicar o fenômeno de psicopatologia coletiva que representou a crença na bruxaria. Muitos chegaram a acreditar na ocorrência de uma alucinação mediante a qual, contaminadas pela crença geral, muitas mulheres teriam admitido participar de práticas que nunca realmente exerceram.
Outra corrente interpreta a crença nas bruxas como resquício de antigas religiões autóctones europeias, nunca inteiramente desarraigadas pela cristianização, que depois se teria mesclado com doutrinas cristãs sobre o diabo. Uma referência seriam as valquírias da mitologia germânica, que, como as bruxas, voavam pelos ares.
No século XX, essa teoria aperfeiçoou-se nas teses da antropóloga inglesa Margaret Murray, para quem a bruxaria seria resíduo de uma religião pré-histórica, um culto da fertilidade que sobreviveu à cristianização, sobretudo no meio rural e nas populações descendentes de raças submetidas, como os celtas, o que explica a forte divulgação do culto nas ilhas britânicas. O culto teria sido ressuscitado sobretudo em tempos de enfraquecimento da igreja, como aconteceu no período da Reforma, nos séculos XVI e XVII. A teoria de Murray, em seus aspectos principais, é rejeitada hoje pela maior parte dos pesquisadores, que a consideram infundada.
Outro britânico, Hugh R. Trevor-Roper, acentuou que, embora realmente a bruxaria tivesse um substrato folclórico, foi a igreja medieval que o sistematizou e o codificou com o fim de reprimir a heresia e exercer coação sobre os desvios doutrinários, criando com isso um autêntico tratado de demonologia.
Essa mescla de ritos arcaicos, superstições, convulsões políticas e perseguições oficiais, que precisavam de bodes expiatórios, fomentou as alucinações de membros de grupos sociais marginalizados — talvez com manifestações paranormais — e a imaginação coletiva. Pelo menos na história da Europa, a bruxaria seria basicamente um significativo reflexo das tensões sociais acumuladas nos séculos que antecederam a modernidade. No interior da Inglaterra e de muitos outros países, porém, a crença na bruxaria, sua prática e numerosos ritos de magia persistem até hoje.
Fonte Bibliográfica de pesquisa: Barsa.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Iemanjá – o que diz a bíblia?


1 – O jornal A TRIBUNA*, traz a notícia abaixo. Quem é Iemanjá? É uma figura histórica ou se trata de uma lenda?
Resposta: Ela vem do mito original africano, da lenda portuguesa da moura encantada, e das tradições indígenas da mãe d’água. É também considerada a Rainha das Bruxas e de tudo que vem do mar, assim como pode ser também comparada à deusa Ísis. Na África, Iemanjá é associada à fertilidade e fecundidade. Nas lendas antigas antecederam Iemanjá: as Sereias do Mediterrâneo, que tentaram seduzir Ulisses; as Mouras portuguesas; a Mãe D’água dos iorubanos; ao nosso primitivo Igupiara; as Iaras e o Boto. E, neste longo caminhar, a própria personalidade desta deusa.

2 – Qual o significado do nome Iemanjá?
Resposta: O nome Iemanjá: iya = mãe; Omo = filho; Eja = peixe. Dia da semana: Sábado. Cores: branco e azul (cristal translúcido). Saudação: O doiá! (odo = rio). Elemento: água. Domínio: mar, água salgada. Instrumento: abebê (espelho). Deusa da nação de Egbé, nação esta loruba onde existe o rio Yemojá (Iemanjá). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade.

3 – Qual o tipo de culto afro que homenageia Iemanjá?
Reposta: Iemanjá é uma divindade do candomblé, como também da Umbanda. Orixá das águas, com muitos correspondentes em outras religiões.

4 – Existe sincretismo entre Iemanjá e algum santo católico?
Resposta: Sua identificação na liturgia católica é “Nossa Senhora de Candeias”, “Nossa Senhora dos Navegantes”, “Nossa Senhora da Conceição”, “Nossa Senhora da Piedade” e “Virgem Maria”. Iemanjá é uma deusa abrasileirada, sendo resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos. Como tal, de acordo com cada região que a cultua, recebe diversos nomes: Sereia do Mar, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Inaê, Mucunã, Janaína.

5 – Como se realizam as festividades em sua homenagem?
Resposta: A festa inicia-se às 10:00h, e a procissão tem a intenção de garantir a paz, a saúde e a fartura da pescaria o ano inteiro. Também é festejado neste dia (devido ao sincretismo), a festa de Nossa Senhora dos Navegantes (ou Candeias). Do mesmo modo que varia seu nome, variam também suas formas de culto. A sua festa na Bahia, por exemplo, é realizada no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias. Já no Rio de Janeiro é dia 31 de dezembro que se realiza suas festividades. As oferendas também diferem, mas a maioria delas consiste em pequenos presentes tais como: pentes, velas, sabonetes, espelhos, flores etc. “Na celebração do Solstício de Verão, seus filhos devotos vão às praias vestidos de branco e entregam ao mar barcos carregados de flores e presentes. Às vezes ela aceita as oferendas, mas algumas vezes manda-as de volta. Ela leva consigo para o fundo do mar todos os nossos problemas, aflições e nos traz sobre as ondas a esperança de um futuro melhor”.

6 – Que tipo de ajuda ela oferece aos que a cultuam na condição de deusa?
Resposta: Ela é a protetora dos pescadores, dizem seus seguidores. Além disso, acreditam que ela leva todos os seus problemas e aflições, e traz sobre as ondas a esperança de um futuro melhor.

7 – Depois do irmão nos ter dado informações sobre a deusa Iemanjá, e o culto sincrético que ela recebe ao lado de várias santas marias do culto católico, gostaria de ouvir do irmão como isso deve ser visto à luz da Bíblia. O que diz a Bíblia sobre esse tipo de culto prestado a essas entidades da religião afro e católica?
Resposta: Em primeiro lugar vejo com muita tristeza que se divulgue no Brasil um tipo de religião como se fosse folclore brasileiro. Folclore, como sabemos, é um conjunto de tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em contos e lendas. Isto nos faz lembrar o povo de Israel, quando saiu do Egito, e recebeu a lei por meio de Moisés. Deus lhes deu preceitos contra a feitiçaria e a idolatria, que era uma prática folclórica do povo de Canaã. Tanto contra a idolatria, como também contra a feitiçaria, havia preceitos específicos para que povo de Israel se colocasse longe de tais práticas (Dt. 5.8-9; 6.4-5; 18.9-12). O povo de Israel não obedeceu e isso foi a desgraça do povo (2Cr. 33.1-7). Vemos com tristeza o nosso povo tão envolvido nessas práticas condenadas por Deus, que chegamos a perguntar: Como Deus pode abençoar nossa nação, que vive longe dos seus desígnios? 2Co. 6.14-17 e Ap. 18.1-4 narram a ordem divina.
*A TRIBUNA, de 31 de janeiro de 2005