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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Bruxaria

A frequente presença do fenômeno milenar da bruxaria em culturas distantes de seu substrato atesta a perpetuação de certas modalidades de funcionamento do espírito humano. No entanto, inúmeros trabalhos etnológicos ou históricos não lograram ainda dirimir todos os problemas ligados a sua definição ou explicação.
Bruxaria consiste no exercício, com intenção maligna, de pretensos poderes sobrenaturais por meio de ritos mágicos e com o fim de causar malefício a certas pessoas ou a seus bens, assim como benefícios diretos ou indiretos a seus praticantes. O fenômeno existe desde os tempos pré-históricos e faz parte dos procedimentos de numerosas crenças animistas. Aparece já em Homero e na própria mitologia grega, em que a feiticeira Medéia ocupa lugar de destaque no ciclo dos argonautas. Na literatura latina, o tema despertou o interesse de vários autores, especialmente Apuleio, Petrônio e Horácio.
No universo judeu-cristão, a presença das bruxas verifica-se desde o Velho Testamento. Em um momento crucial de sua vida, Saul consultou a feiticeira de Endor, embora pela lei de Moisés a bruxaria fosse punida com a morte. No cristianismo primitivo, conhecia-se a prática de ritos mágicos, mas os apóstolos consideravam-na fruto de ardis do demônio, pois entendiam que somente Deus dispunha de poderes sobrenaturais.
História da Bruxaria
A bruxaria ressurgiu e intensificou-se na Europa do século X ao XII, quando as heresias dos cátaros trouxeram de volta a crença na influência do demônio, o que favoreceu a interpretação de que a bruxaria era produto do contato com suas forças. Realizaram-se nesse período vários processos contra bruxas, promovidos pelo poder civil. Entretanto, a questão só assumiu aspectos dramáticos a partir do século XIV, quando a igreja implantou os tribunais da Inquisição Católica para reprimir tanto a disseminação das seitas heréticas como a prática de magia e outros comportamentos considerados pecaminosos. Ao dar especial relevo ao problema, a perseguição contribuiu para que ele adquirisse ainda maiores proporções. Nessa época, o fenômeno frequentemente se caracterizou como manifestação coletiva, de grandes dimensões e profunda repercussão na vida religiosa, no direito penal, nas artes e na literatura.
Daí em diante, à medida que proliferaram os tribunais da Inquisição, os processos aumentaram rapidamente. A acusação sistemática só se verificou na época que é considerada a última fase da Idade Média, o fim do século XV, principalmente após a bula Summis desiderantes affectibus (1484), do papa Inocêncio VIII, e da obra Malleus maleficarum (1487; Martelo das feiticeiras), dos dominicanos Heinrich Kraemer e Johann Sprenger, em que se firmaram as normas do processo inquisitorial contra a feitiçaria.
A época da verdadeira epidemia de bruxas e teóricos do assunto é a dos séculos XVI e XVII, no contexto da Reforma e da Contra-Reforma. Ainda que, como nos outros casos, implicasse a prática da magia, incluía quase sempre a invocação do demônio e a mobilização de seus poderes, o que a associava à concepção do mal na teologia cristã e a tornava um desafio à moralidade religiosa. Apareceram então os grandes sistematizadores da demonologia — Jean Bodin, autor de De la démonomanie des sorciers (1580; Da demonomania dos feiticeiros), e o jesuíta Martinus Antonius Delrio, autor de Disquisitionum magicarum libri VI (1599; Seis livros de pesquisas sobre magia). Nessa fase, a bruxaria tornou-se tema freqüente na literatura e nas artes plásticas: sobressaíram, por exemplo, Macbeth, uma das mais célebres tragédias de Shakespeare, e as gravuras de Baldung Grien e Jacques Callot.
A perseguição às bruxas foi metódica e violenta no norte da França, no sul e oeste da Alemanha e muito especialmente na Inglaterra e na Escócia, onde houve o maior número de vítimas. Os colonizadores ingleses levaram esse procedimento para a América do Norte, onde, em 1692, ocorreu o famoso processo contra as bruxas de Salem, em Massachusetts.
Em geral, acusava-se de bruxaria mulheres velhas, mas com menor frequência também jovens e, excepcionalmente, homens. As acusações registradas contra essas pessoas referiam-se a toda espécie de malefícios contra a vida, a saúde e a propriedade: aborto das mulheres, impotência dos homens, doenças humanas ou do gado, catástrofes e temporais. As bruxas eram também denunciadas por pactos com o diabo. Montadas em vassouras, voariam pelos ares e se reuniriam em lugares ermos para celebrar o sabá e entregar-se a orgias. Como cultuariam Satanás, considerava-se que este lhes aparecia como monstro cornudo e sequioso de sacrifícios.
O racionalismo e o espírito científico, que caracterizaram o Iluminismo do fim do século XVII e do século XVIII, contribuíram para o fim desses processos e para que não mais se admitisse perseguição judiciária em casos de superstições populares. O último processo na Inglaterra ocorreu em 1712, e a última fogueira de bruxas na Europa foi acesa em 1782, no cantão suíço de Glarus.
Teorias antropológicas.
O fenômeno histórico da bruxaria suscitou numerosos estudos antropológicos, para os quais a intolerância das autoridades eclesiásticas, tanto católicas como protestantes, não seria razão suficiente para explicar o fenômeno de psicopatologia coletiva que representou a crença na bruxaria. Muitos chegaram a acreditar na ocorrência de uma alucinação mediante a qual, contaminadas pela crença geral, muitas mulheres teriam admitido participar de práticas que nunca realmente exerceram.
Outra corrente interpreta a crença nas bruxas como resquício de antigas religiões autóctones europeias, nunca inteiramente desarraigadas pela cristianização, que depois se teria mesclado com doutrinas cristãs sobre o diabo. Uma referência seriam as valquírias da mitologia germânica, que, como as bruxas, voavam pelos ares.
No século XX, essa teoria aperfeiçoou-se nas teses da antropóloga inglesa Margaret Murray, para quem a bruxaria seria resíduo de uma religião pré-histórica, um culto da fertilidade que sobreviveu à cristianização, sobretudo no meio rural e nas populações descendentes de raças submetidas, como os celtas, o que explica a forte divulgação do culto nas ilhas britânicas. O culto teria sido ressuscitado sobretudo em tempos de enfraquecimento da igreja, como aconteceu no período da Reforma, nos séculos XVI e XVII. A teoria de Murray, em seus aspectos principais, é rejeitada hoje pela maior parte dos pesquisadores, que a consideram infundada.
Outro britânico, Hugh R. Trevor-Roper, acentuou que, embora realmente a bruxaria tivesse um substrato folclórico, foi a igreja medieval que o sistematizou e o codificou com o fim de reprimir a heresia e exercer coação sobre os desvios doutrinários, criando com isso um autêntico tratado de demonologia.
Essa mescla de ritos arcaicos, superstições, convulsões políticas e perseguições oficiais, que precisavam de bodes expiatórios, fomentou as alucinações de membros de grupos sociais marginalizados — talvez com manifestações paranormais — e a imaginação coletiva. Pelo menos na história da Europa, a bruxaria seria basicamente um significativo reflexo das tensões sociais acumuladas nos séculos que antecederam a modernidade. No interior da Inglaterra e de muitos outros países, porém, a crença na bruxaria, sua prática e numerosos ritos de magia persistem até hoje.
Fonte Bibliográfica de pesquisa: Barsa.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Carma na cosmovisão Kardecista.



Paralelamente à doutrina da reencarnação segue-se a doutrina do carma que, nas palavras de Kardec, explica essa doutrina dizendo que toda a falta cometida, todo o mal praticado, é uma dívida contraída que deverá ser paga pelo próprio homem através do arrependimento, expiação (que é o sofrimento) e reparação (que são as boas obras). Assim, as condições para alguém se tornar um espírito puro são três:

Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências (“O Céu e o Inferno”, p. 747. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

1. Arrependimento

Quanto ao arrependimento, a Bíblia afirma que o ladrão na cruz se arrependeu e ouviu de Jesus a promessa de que naquele mesmo dia estaria com Ele no paraíso: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23.42-43). Jesus, por sua vez, estabeleceu: se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis (Lc 13.3).

2. Expiação

Então, segundo Kardec, esta vida é uma expiação. O que sofremos é justo; foi merecido por nós, ainda que seja noutras encarnações. Muito bem. Então, quando um homem mau persegue o seu semelhante; quando alguém furta; quando o capanga mata; é sempre instrumento de justiça divina. Deus não pode deixar exceder o que a pessoa mereceu; pois que, se o sofrimento passasse o mal cometido, Deus seria injusto; faria diferença entre as suas criaturas inteligentes. Segue-se que, se matarmos, se torturarmos ao próximo, não fazemos nada de mal. É apenas o que ele mereceu noutras encarnações! Sim, pelos dizeres dos espíritas, Deus não pode permitir a injustiça; Deus não pode permitir a desigualdade do mundo. Se o permite, é porque foi merecida. E daí? Daí que resulta que não há mal nenhum em matar; que é uma boa obra o furtar; que há merecimento em martirizar os outros… e não é só isso: deduz-se que se está fazendo um bem quando todo mundo pensa que se está a fazer mal aos outros.

Quando um amigo atraiçoa outro, rouba-o, deixa-o na miséria – devia ser abraçado por este com lágrimas de gratidão. Não lhe podia fazer um bem maior.

E depois, ele já tinha mesmo de passar por essa… Estava escrito… Ele o tinha merecido na encarnação anterior. Logo, espíritas, pelas suas doutrinas, podemos e devemos praticar o mal. Quanto mais mal fizermos aos outros, maior será o benefício que eles recebem. Quanto mais pagar das suas culpas, tanto mais nos agradecerá.

Pela doutrina bíblica, fazendo mal aos outros, expomo-nos a fazer sofrer um inocente. Pela doutrina espírita, só fazemos sofrer a quem mereceu.

3. Reparação

Quanto a esta última, o espiritismo adotou o slogan: Fora da Caridade não há Salvação.

Meus filhos, na máxima, Fora da Caridade Não Há Salvação, estão contidos os destinos dos homens na terra como nos céus (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, p. 631, Ibidem).

Muitos querem identificar a caridade cristã com a filantropia. Na realidade são duas coisas distintas. Em 1 Coríntios, 13.3, Paulo afirma que alguém pode dar seu corpo para ser queimado e todos os seus bens aos pobres e ainda não ter caridade. Se não é caridade cristã, então o que é? Seria, a verdadeira filantropia. Filantropia e caridade podem apresentar um aspecto externo exatamente igual e, no entanto, haver diferença fundamental entre ambas. Dizemos, à luz da Bíblia, que a razão da nossa existência consiste em glorificarmos a Deus: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5.16). Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas (Ap 4.11). Logo, o primeiro mandamento, em importância, é o amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 22.37-39). E afirmamos que existe uma conexão entre a caridade cristã e o amor a Deus. Os dois chegam mesmo a identificar-se, pois em Mateus 25.40 Jesus declara: E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizeste a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Aí está a significação da caridade. O cristão ama a Deus no próximo. Foi assim que se deu com Zaqueu (Lc 19.1-10). Ao receber Jesus em casa, logo nasceu a preocupação pelos menos favorecidos e se pronunciou espontaneamente: E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado (Lc 19.8).

As boas obras nunca salvaram e nunca ajudaram a salvar. Paulo afirma em Efésios 2.8-10: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua; criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Somos criados para as boas obras e não pelas obras e é por meio da fé que somos salvos. As boas obras são o resultado da nossa fé em Cristo. Paulo, em 2 Coríntios 5.17, declara que nos tornamos novas criaturas, abandonando as práticas más e nos voltamos para a prática do bem, desde que estejamos em Cristo Jesus. Logo, as boas obras devem ser apenas a manifestação externa do interno amor que temos a Deus.

4. Perguntas que fazem os espíritas:

Por que uns nascem com saúde e outros doentes e aleijados?

a) Pai sifilítico gera filho sifilítico. A TV apresentou uma reportagem a respeito de oito mil crianças nascidas aleijadas e defeituosas, porque suas mães em estado de gravidez tomaram o famoso psicotrópico Talidomida. Este é o fato inconcusso absoluto. O resto não passa de pura fantasia dos adeptos da reencarnação.

b) Por que alguns nascem ricos e outros na mais extrema miséria?

Dizem os reencarnacionistas que os ricos são espíritos adiantados e os pobres, espíritos atrasados.

Ora, se assim fosse, Cristo deveria ser um espírito muito atrasado, pois morreu pobre, crucificado entre dois ladrões e miseravelmente caluniado.

Pelo que sofreu deveria ter cometido hediondos crimes na vida passada. Ocorre que Kardec ensina que a pessoa não tem lembrança alguma dos fatos da vida anterior.

Castigar sem que o réu saiba por que parece brutalidade e não satisfaz nem o nosso próprio sentimento de justiça humana, quanto mais o da justiça divina. Um Hitler fica livre de seus crimes, porque uma menina nascida no Brasil é a reencarnação de Hitler e vai sofrer no lugar dele. Mesmo sem saber porque está acometida de uma doença grave, por exemplo, leucemia. Morre sem saber dos seus crimes numa existência anterior quando vivia como Hitler.

É lógico? Kardec afirma mais que: a reencarnação se enquadra melhor com a justiça ao dizer que é única que corresponde à idéia da justiça de Deus… (“O Livro dos Espíritos”, p. 84. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

c) Qual o estado da alma, originalmente?

São criadas simples e ignorantes as almas, quer dizer, sem cultura e sem reconhecerem o bem e o mal (“O Livro dos Espíritos”, p. 324. editora Opus Ltda; 2a edição especial, 1985).

Façamos então uma comparação entre os homens e os animais. Afirma Kardec que os animais tiraram o seu princípio inteligente do elemento universal inteligente, igualmente como o que aconteceu com o homem. Posto isto, os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, inclusive passando pela erraticidade como o homem, sujeito a uma lei progressiva. Mas, por fim, fica o animal no mesmo nível de que o homem, admitindo-se o princípio de justiça de que cada qual faz por merecer? Não! Os homens sempre se colocam num nível superior aos olhos dos animais, para quem os homens são deuses, permanecendo assim os animais num estado de inferioridade. Logo, Deus criou seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade, que, parece, contraria o princípio de justiça divina a que se refere Allan Kardec para justificar a reencarnação.

De onde tiram os animais o princípio que constitui a espécie particular de alma de que são dotados?

Do elemento inteligente universal.

Tendo os animais uma inteligência que lhes dá certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria?

Sim, e que sobrevive ao corpo.

Sobrevivendo à morte do corpo, a alma o animal fica errante, como a do homem?

Há uma como erraticidade, e vez que não se acha unida a um corpo…

Os animais estão sujeitos, como o homem a uma lei progressiva?

Sim, e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes

(O Livro dos Espíritos, p. 167, Editora Opus Ltda., 2º edição especial, 1985).

Por que é que uns nascem inteligentes e outros medíocres?

Como acontece com os animais, os vegetais e também a parte somática do indivíduo em que não há nada absolutamente igual, assim também acontece com a inteligência do homem. Já viram porventura uma impressão digital igual à outra? De maneira nenhuma. Assim também acontece com a inteligência, faculdade da alma. Temos ainda a palavra de um médium espírita:

Anatole Barthe refuta assim as desigualdades humanas: Para desenvolver as desigualdades humanas os espíritas ensinam a reencarnação. Não sabem estes que não há dois seres, duas coisas perfeitamente iguais na natureza e que nem no imenso espaço nem tampouco ao longo do tempo podem ser encontradas? Não é precisamente na diversidade que nasce a harmonia do universo? (“Le Livre des Espirits, Recueli de Comunications Obenues par Divers Médiuns”, Paris, 1863 p. 21).

e) Regressão de idade prova a reencarnação?

Absolutamente não. Já se acha comprovado pela hipnologia: quando o hipnotizado é reencarnacionista, revela reencarnação, entretanto quando não é, nega-a. De forma que a regressão de idade para provar ou negar a palingenesia depende da opinião do hipnotizado.

Experiências Inversas – Podemos também fazer experiências de progressão de memória sugerindo que o hipnotizado tenha envelhecido, situação irreal, que se comporta como autêntico ancião. Conclui-se daí que em ambos os casos as situações são puramente imaginárias, sugeridas tanto pelo consciente como pelo hipnotizado.

f) O problema populacional:

Sabemos que a população do mundo aumenta assustadoramente, ultrapassando hoje os seis bilhões de habitantes. Sabemos também que há poucos anos eram três bilhões. No Brasil, por exemplo, em 1935, havia mais ou menos 34 milhões de pessoas; em 2001 somos mais de 160 milhões. Portanto, se a pessoa morre e se reencarna, não pode absolutamente aumentar a população. De onde, então, vêm tantos espíritos? Allan Kardec ensina que o homem vem do macaco, evoluindo. Será por isso que os macacos estão em extinção?

Extraído da Editora ICP em 10/08/2013

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Imprensa internacional critica médium brasileiro João de Deus: “Não há nada de divino nele”



O médium conhecido como João de Deus foi tema de uma reportagem de um programa de TV da Austrália, que investigou os rituais praticados na cidade de Abadiânia, em Goiás, e que atrai milhares de pessoas de todas as partes do mundo.

A conclusão do programa 60 minutes foi que o autodeclarado médium não cura ninguém. Foram mostrados casos de pessoas que buscaram a ajuda de João de Deus para superar problemas de saúde e terminaram por ter seu estado agravado, ou pior, morrerem em decorrência da falta de cuidados adequados.

“O mundo da medicina moderna não pode tolerar esse comportamento de forma alguma”, observa o médico David Rosengren, comentando os relatos de que João de Deus realiza práticas medievais, como a inserção de tesouras ou pinças de profundidade em um nariz, além de raspar um olho sem anestesia, dentre outros casos.

Alegando que incorpora espíritos de médicos já falecidos, João de Deus diz não cobrar por suas consultas e “cirurgias espirituais”, mas alcança renda em torno de US$ 16 milhões por ano, graças à cobrança por “sessões terapêuticas” em sua “clínica”. Os supostos tratamentos custam a partir de US$ 25, e podem ser uma garrafa de “água abençoada”, um momento de relaxamento num “leito de cristal” ou ainda pílulas feitas de ervas na “farmácia” do local.

Houve casos mostrados na reportagem da TV australiana em que uma mulher com câncer de mama que procurou o “tratamento” de João de Deus terminou por falecer em 2003. Outra senhora, que apelou para o médium na tentativa de sair da cadeira de rodas, continua sem poder andar, e para piorar, teve seu estado de saúde agravado.

“João de Deus é um homem que afirma fazer milagres e curar os doentes. Ele se chama João de Deus, mas não há nada de divino nele. Milhares de pessoas o procuram na esperança de uma cura para a sua dor, mas acabam sendo esfolados na hora de pagar a conta. Ele se vende como a suposta cura de Deus, mas não o faz de bom grado. Muito pelo contrário. Ele é um homem de negócios parcimonioso que ganha dezenas de milhões de dólares com a fé e o desespero alheio”, escreveu o jornalista William M. London no site da Fundação Richard Dawkins.

Fonte: Gospel Mais